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Greves dos Médicos e Professores

Redacção AJPD
7/4/2022

As Associações Justiça, Paz e Democracia(AJPD), OMUNGA e Rede Terra, manifestam com bastante preocupação pela forma como o executivo angolano lida com os movimentos sociais, manifestações, sindicatos e o tratamento que dá às reivindicações, concretizadas em greves pelas distintas classes profissionais.

No final de Dezembro de 2021, tivemos uma greve convocada pelo Sindicato dos Médicos que reclamava, entre outras coisas, a alteração das condições em que exercem a actividade, quadro descrito pelos entendidos na matéria de gestão hospitalar como degradante, não fosse a elevada estatística de óbitos que se registam nos nossos hospitais.

Em Fevereiro do ano em curso, assistimos ao início da greve convocada pelo Sindicato dos Professores do Ensino Superior Público que, pelas mesmas razões,vem reclamando por melhorias das condições de trabalho e dignificação da classe. Aliás, grosso modo, as reclamações dos professores são de longa data!

Transcorrido esse tempo, é espantoso constar que o executivo angolano não tenha reunido condições necessárias para inverter o quadro actual do estado da saúde, tendo preferido aguardar pela convocação da segunda greve, numa clara demonstração de falta de interesse na resolução desse problema que, diga-se de passagem, e comas devidas ressalvas, pode mesmo ser considerado de segurança nacional.

Outro elemento revelador de falta de interesse ou manifesta despreocupação na resolução das preocupações apresentadas pelas classes profissionais supracitadas é a tábua rasa que se faz à greve convocada há mais de noventa dias, pelo Sindicato dos Professores do Ensino Superior Púbico que se apresentasem fim à vista.

As Associações AJPD, OMUNGA e Rede Terra,consideram despropositado e deplorável a atitude do executivo que ao invés dedar soluções aos graves problemas que enfermam os sectores da saúde e do ensino em Angola quer, à custa da força, obrigar o regresso dos médicos às enfermarias, quando deveria dar solução às preocupações apresentadas pelos profissionais da saúde e da educação, pois fosse por isso que terá sido eleito para governar!

 

 As Associações subscritoras, não acreditam na construção de uma sociedade desprovida de professores e médicos competentes.

A AJPD, OMUNGA e a Rede Terra, apelam ao executivo angolano o seguinte:

 

* Que o executivo resolva os graves problemas que grassam os sectores da educação e da saúde, tomando em conta o caderno reivindicativo;

* Que o Estado faça maiores investimentos na área de pesquisa e investigação científica e defina políticas de incentivo e atracão dos melhores quadros do sector da saúde e educação;

* As organizações subscritoras responsabilizam o Estado angolano por qualquer morte que venha ocorrer nos hospitais nesta fase de greve, sobretudo, se a mesma for resultante da ausência de médicos;

* Que termine de uma vez por todas de coagir os líderes dos sindicatos e os seus associados.

 

As organizações

Serra Bango (AJPD),

João Malanvilindele (OMUNGA)

 

Bernardo Castro (Rede Terra)

 

 

 Luanda, 7 de Abril de 2022